Uma alma madura, marcada por cicatrizes, recua no tempo e se deixa envolver pela luz dourada e desbotada de 1998. De repente, percebe que naquela época, a juventude era plena e os anos exalavam fragrância. Descobre, então, que errar faz parte do crescimento e que a juventude pode ser vivida com tamanha intensidade e liberdade...
Em 1998, na província de Longjiang, na Primeira Escola Secundária de Shangbei, sala de exames número dezessete.
Qi Lei olhava, absorto, para fora da janela, com o olhar atravessando o verde intenso dos álamos, até se fixar numa pequena loja do outro lado da rua — “Loja de Áudio e Vídeo Moderno”. Vagamente, uma doce voz de cantora penetrava com força o ambiente, alcançando seus ouvidos. Prestando atenção, percebeu tratar-se da canção “Mil razões para se entristecer”, de Jacky Cheung.
“Que moderno!”, pensou.
Ele recolheu o olhar, rígido, e deu de cara com a mesa à sua frente. Bem, aquela mesa era ainda mais impressionante: madeira maciça, sem emendas, se colocada numa loja de móveis de luxo, só o tampo valeria quase mil yuans. Mas estava um pouco desgastada, com a pintura descascada, repleta de fórmulas matemáticas, letras de músicas e citações famosas deixadas por inúmeros “gênios” ao longo dos anos. Entre elas, uma confissão de amor torta e sincera: “Adeus, Xu Qian”.
Se fosse há vinte anos, Qi Lei teria achado aquilo refrescante. Agora, como tantos internautas, pensava: “Puxa-saco, vai acabar sem nada!”
Desviou o olhar dos livros, examinando cada detalhe da sala de aula. O quadro-negro de compensado, com um canto quebrado, exalava uma atmosfera nostálgica. O “Cantinho da Higiene”, com sua toalha branca, as janelas de madeira cobertas por tinta verde rachada e envelhecida... E os rostos juvenis apressados, cada um retornando ao seu lugar, tão sérios e vibrantes.
Naturalmente, os grandes caracteres cuidadosamente escritos no quadro negro