Um ladrão de habilidades extraordinárias vaga sozinho pelos caminhos do mundo, desafiando perigos e mistérios. Sua origem é envolta em segredos fascinantes, e sua vida inspira lendas, pois tudo se baseia em fatos reais. Não é apenas um fora da lei; é alguém que, com coragem e justiça, dedica-se à pátria e ao povo, personificando o verdadeiro espírito do herói.
Naquele inverno, uma grande nevasca caiu sobre a cidade de Heyang, no nordeste do Reino de Daxia. Eu usava um terno impecável, óculos com armação dourada, e estava parado à porta do saguão de espera da estação ferroviária de Heyang.
Puxei a manga esquerda, deixando à mostra o relógio dourado no pulso, e conferi as horas. Uma mulher de meia-idade, vestindo um casaco de algodão azul com flores miúdas e um lenço verde na cabeça, carregando um enorme saco de palha às costas, aproximou-se trôpega.
“Moço, não sei ler, poderia me dizer se esta é a estação do trem para a capital da província?”
O rosto dela estava rubro, e a cada palavra saía uma nuvem de vapor de sua boca. Assenti com a cabeça.
“Sim, senhora, esta estação vai para a capital.”
Aliviada com minha resposta, ela pareceu relaxar consideravelmente. Murmurou, talvez para si mesma, talvez para mim:
“Meu marido trabalha na capital, se acidentou e quebrou a coluna... Preciso ir vê-lo... Ai, com velho e criança em casa, todos dependem dele, e agora, como vai ser...”
Os olhos dela se encheram de lágrimas, enxugou o canto dos olhos com a manga, ajeitou o saco às costas e se dirigiu para o interior da estação. No instante em que passou por mim, escorregou nos degraus gelados e, desequilibrando-se, caiu em minha direção.
Por reflexo, estendi a mão e a segurei.
Ajudei-a a se firmar e recolhi o saco que ela carregava. Ela, grata, agradeceu:
“Obrigada, moço. Ainda tem gente boa nesse mundo...”
Sorri.
“Senhora, gente boa ou má não se vê pela cara. Vá com calma