No deslumbrante oceano de estrelas, as figuras que protegem o lar e a esperança de seu povo jamais recuaram diante da fúria das armas.
Tang Lang segurava uma lanterna entre os dentes, raspando com todo cuidado a superfície do solo com seu amado punhal Dente de Tigre. Aos poucos, uma peça de metal verde-escura foi se revelando. Ele afastou a terra ao redor, estendeu a mão e, com movimentos delicados, retirou o objeto. Com destreza, desenroscou os parafusos, abriu a tampa, desmontou o detonador e o colocou de lado.
O punhal Dente de Tigre já não tinha o mesmo brilho e fio de antes; estava opaco, quase igual à foice largada ao lado. Assim como seu dono, vestindo um camuflado desbotado e cheio de remendos, o rosto marcado pelo vento e pelo tempo.
Talvez, se os companheiros que tanto imploraram para que Tang Lang ficasse, mas acabaram apenas assistindo sua partida determinada, vissem aquele que já fora o sargento de quinta classe mais habilidoso em todas as técnicas militares individuais da Região Militar do Noroeste, sempre cheio de energia e com um sorriso radiante, nesse estado, chorariam copiosamente.
No entanto, o rosto de Tang Lang exibia um sorriso satisfeito.
Ao seu lado, já havia uma fileira de cinco detonadores.
Esse era o resultado de quase um dia inteiro de trabalho.
“Mina antipessoal tipo 58, fabricação soviética, disparo por pressão, carcaça metálica, deve ter uns cinquenta anos”, murmurou Tang Lang, tirando do embrulho um bolinho de arroz já um pouco azedo, que devorou em três mordidas. Acendeu um cigarro, e através da fumaça azulada, olhou para as montanhas distantes com os olhos semicerrados, o rosto sujo de terra refletindo determinação. “Mais um pouco de